A Forma da Água

A princesa de Del Toro.

A mescla entre fantasia e romance presenteou a sétima arte e seus milhares de adoradores com uma fantasia sobre amor e devoção. Guillermo Del Toro faz o melhor trabalho de sua carreira ao homenagear o cinema, construindo uma história belíssima que emociona e diverte, enquanto comprova durante duas horas que monstros salvam vidas.

Contextualizando-se em meio à Guerra Fria, durante a corrida espacial entre norte-americanos e soviéticos. A trama acompanha a rotina de Eliza (Sally Hawkins), uma zeladora, muda, de um laboratório experimental do governo, que se apaixona pela nova aquisição do laboratório, um Homem-Anfíbio (Doug Jones) que foi capturado pelos americanos com o intuito de estudá-lo e, dessa forma, usar o conhecimento adquirido para levar o homem à lua.

Ao iniciar-se, A Forma da Água nos apresenta ao seu mundo realista de contos de fadas, seus tons azul-petróleo e ao dia a dia da protagonista que acompanhamos do começo ao final do longa-metragem. Um cenário mágico é formado no filme desde o seu inicio, simplista e profundo desde sua primeira cena e acima de tudo delicado. Um filme encantador desperta e ao decorrer de sua história, apenas cresce a sua capacidade de encantar.

Toda a trama é trabalhada de modo minimalista, os detalhes são seu trunfo. Ao ver pela primeira vez a criatura, Eliza sente medo e depois fascínio e curiosidade, ao buscar saciar a sua curiosidade a personagem acaba conhecendo mais o Homem-Anfíbio, entendendo-o e vendo o quanto ele é solitário e triste, uma criatura incapaz de falar, que vive com medo em um lugar desconhecido em que todos dali foram hostis com ele. Eliza então identifica-se, por ser também uma pessoa solitária, alguém que sofre preconceito e nunca encontrou um lugar que pudesse fazê-la se sentir completa nesse mundo. Emoções simples, que passam pelo rosto de Sally Hawkins de modo delicado e belo, expressando-as sem dizer uma palavra. A atriz entrega um trabalho magnífico, ela expressa em suas feições a vontade constante de gritar, de uma personagem incapaz de fazê-lo.

Sally Hawkins é a grande estrela do filme, a grande musa de Del Toro, sua Princesa Sem Voz, entretanto, o elenco não se resume apenas à ela, todos os coadjuvantes fizeram um excelente trabalho, todos conquistaram seu espaço no decorrer do filme. Richard Jenkis fez um trabalho brilhante como Giles, vizinho e melhor amigo de Eliza, um pintor fracassado e homossexual, que vive durante em um período de tempo extremamente preconceituoso, incapaz de exercer o amor. Octavia Spencer interpreta Zelda Fuller, colega e amiga de trabalho de Eliza, o personagem de Octavia no inicio da trama apresenta-se como um simples alívio cômico, um complemento à trama, mas enquanto ela participa e se relaciona mais e mais com a história, o personagem cresce e consegue nos presentear com mais uma excelente atuação de Octavia. Ambas as personagens sofrem preconceito no decorrer da história, algo que Del Toro trabalha de modo extremamente sutil e delicado.

O personagem de Michael Shannon, Richard Strickland, reflete o vilão perfeito, sendo interpretado pelo ator perfeito para esse tipo de papel. O antagonista da história é construído na trama como a contraposição da protagonista, enquanto Richard tortura e tenta matar a criatura, Eliza o abraça e tenta libertá-lo. A contraparte maligna da história, cruel e vil, o personagem é extremamente bem construído e interpretado.

A magia, a beleza e o deslumbre ainda são méritos de um único homem, Guillermo Del Toro. Produtor, diretor e roteirista, ele criou, desenvolveu e tornou possível a realização deste clamor aos indesejados, aos renegados, aos solitários e todos aqueles que se sentem incompletos nesse mundo. Esta é uma carta de amor ao cinema, feito com a mais bela arte. Um filme de fantasia e ficção-científica, um romance, uma comédia, um musical, um louvor à sétima arte. Guillermo Del Toro expande noções e redefine conceitos ao criar algo único e sentimental. Este é um filme magnifico e extremamente pessoal, nele podemos ver o singelo e singular agradecimento que Del Toro faz ao cinema e a seus monstros.

Com uma incrível parte técnica, mais do que digno de suas 13 indicações no Oscar de 2018. O seu figurino, fotografia, design de produção complementado pelo excelente trabalho sonoro, desde a seleção de músicas (contando com uma trilha brasileira), até a sua edição e mixagem, tornam o filme de Del Toro belíssimo visualmente, um verdadeiro espetáculo visual.

A Forma da Água é a mais perfeita e pura reprodução do amor. Um marco para o cinema que encanta, emociona e diverte. Um filme encantador, extremamente bem executado que merece ser assistido diversas vezes.

A Forma da Água

Título Original: The Shape of Water
Ano: 2017
Direção:  Guilherme Del Toro
Duração: 121 min.
Nacionalidade: EUA
Gênero: Romance, Fantasia
Elenco: Sally Hawkins, Richard Jenkis, Michael Shannon

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.