Liga da Justiça

Um farol de esperança em um futuro incerto

A primeira vez em que a maior equipe de super-heróis da DC Comics é retratada na grande tela foi povoada por dúvidas, medos e preocupações por parte de seus milhares de admiradores. Essa atmosfera de insegurança foi firmada no ano passado, após o lançamento de filmes extremamente polêmicos protagonizados pelos grandes medalhões desta editora.

Durante seu processo de produção, diversas noticias deixaram os fãs cada vez mais inquietos. Embora o filme pudesse ter se confirmado como sendo um completo desastre, ele mostrou-se como um bom filme, coeso e tranquilizador. Transbordando esperança da tela para seu publico ao final de suas escassas duas horas de filme.

Parte dessa tranquilidade foi irradiada por seus personagens. O filme livra-se da atmosfera sombria e pesada que foi construída em Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016), trazendo a partir de seu segundo ato um clima mais otimista, leve e divertido. Sendo perceptiva essa mudança, individualmente em cada um dos membros da equipe.

Retratando pela primeira vez neste universo um Superman (Henry Cavill) mais “escoteiro”, pondo de lado a grande carga dramática que o personagem ganhou em O Homem de Aço (2013). Enquanto o Batman (Ben Affleck) torna-se um personagem mais leve e sociável. A Mulher-Maravilha (Gal Gadot) repete a personalidade mostrada em Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016). Por parte dos restantes dos membros da equipe, o Ezra Miller está extremamente confortável na pele de Barry Allen, servindo como o alívio cômico do filme. O Jason Momoa traz um Aquaman apático, forte e despreocupado. Enquanto o Ciborg (Ray Fisher) é o elo dramático da equipe, aprendendo a conviver com a sua condição.

Mantendo-se longe de toda e qualquer controversa, o ano de 2017, como um todo, foi para a DC Comics o ano de sua consolidação. Enquanto 2016 deixou um ar de instabilidade em seu futuro, os filmes de 2017 não ousaram como o seu ano anterior, manteve-se no chão, apostou em um roteiro mais simplório e o sucesso veio calmamente no formato de Mulher Maravilha (2017). Liga da Justiça repete esta fórmula, corrige alguns erros dos filmes anteriores e contorna magistralmente as maiores criticas feitas a este universo desde sua criação, mostrando que ainda há esperança no futuro.

Esperança. No fim, esta é a palavra que melhor define o filme, não por ser um grande filme, não por ser digno de seu título ou do que ele representa, mas por ter se provado como um bom filme, um filme que cumpre o seu papel, um filme construído para tornar mais estável o universo em que ele se passa, um filme apaziguador, trazendo novamente esperança e tranquilidade à DC Comics.

Liga da Justiça transcende os defeitos dos anteriores, entretanto, traz novos para a sua trama. Após ter deixado a direção do filme por problemas pessoais, Zack Snyder, deixou o comando do longa para Joss Whedon finaliza-lo, este que já fazia parte do filme ao colaborar com o roteiro, realizou refilmagens e algumas mudanças no produto final. Para aqueles que acompanharam a carreira de ambos os diretores é possível perceber até onde vai o filme de Snyder, e até onde começa a influência de Whedon, embora este fato não atrapalhe o entendimento de sua história, cada diretor transmitiu sua própria personalidade para o filme, que se mostram em constante disputa, originando um longa bipolar, com cada qual tentando aplicar seu estilo próprio como majoritário ao decorrer da trama.

Outro ponto extremamente negligenciado, que mostrasse como uma vergonha a um filme destas proporções é a baixa qualidade de seu CGI. Abrangendo cada cena de ação e sendo o que deu vida ao grande vilão do filme. O uso da computação gráfica torna-se nítido, trazendo cenas de ação vistas em videogames do início do século, além de deformar o rosto de um de seus protagonistas. Mostrando-se como a pior parte do filme.

Em contrapartida, o longa repete a excelente direção de arte vista em Mulher Maravilha (2017), dando um visual único e marcante a cada um dos membros da equipe. Trazendo para as telas de cinema um filme quadrinesco e esperançoso que consegue saciar os medos daqueles que sofreram por meses até a estreia do longa.

Assim como seus predecessores, Liga da Justiça cometeu diversos erros, entretanto, nenhum deles conseguiu arruinar a experiência de assistir o filme, que após o seu fim, consegue embriagar o público com uma sensação de bem-estar e tranquilidade. Espantando com sua luz o sentimento de insegurança e incertezas que pairava o universo DC nos cinemas.

Liga da Justiça

Título Original: Justice League
Ano: 2017
Direção: Zack Snyder
Duração: 120 min.
Nacionalidade: EUA
Gênero: Ação, Fantasia, Ficção Científica
Elenco: Ben Affleck, Henry Cavill, Gal Gadot

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.

  • Rodrigo Souza Gomes

    Ótima Review !!!!! Traduziu perfeitamente o que vi em tela.

    • Gabriel Lucas

      Valeu, Rodrigo!
      Este foi o sentimento compartilhado em milhares de salas de cinema!!!