Stranger Things 2

A Consolidação do Sucesso Anterior

Considerada por muito como uma das melhores séries de 2016, Stranger Things foi uma surpresa, muito bem aceita pelo publico e crítica. Ao trazer um elenco infantil, mergulhado em uma trama de mistérios e ficção científica, desenvolvida pelos irmãos Duffer, a série arrebatara o coração de muitos fãs e a indicação para diversos prêmios.

Respondendo de acordo com esta boa recepção, a Netflix nos entregou sua segunda temporada, trazendo novamente todos os elementos que fizeram seu ano anterior ser um sucesso, com uma trama grandiosa e ousada, abordando novos mistérios que escravizam a atenção do público desde seu primeiro episódio.

Contextualizando-se novamente na famigerada cidade de Hawkins, um ano após os eventos da temporada anterior, a série inicia de modo calmo e tranquilo, ao relatar a rotina dos protagonistas após todos os eventos do mundo invertido e seu confronto com o Demogorgon, sendo perceptiva desde o começo a repercussão emocional dos acontecimentos do ano anterior.

Embora demore pouco mais de dois episódios para sermos jogados com violência na trama de Stranger Things, os episódios introdutórios foram muito bem construídos e roteirizados, trazendo como diretores os criadores da série, Matt e Ross Duffer, mostrando-se em nenhum momento como algo maçante ou desinteressante, sendo desenvolvidos com calma e naturalidade.

Como era de se esperar, o investimento da Netflix nesta temporada foi muito maior, permitindo maior liberdade a equipe de produção, trazendo uma temporada mais cinematográfica, recheada de efeitos especiais muito bem feitos, melhores do que o ano anterior. Outro aspecto que recebeu mais atenção este ano foi a direção de arte, que trouxe novamente mais um excelente cenário que quebra a monotonia da pacata cidade de Hawkins.

Entretanto, o destaque fica novamente para a trama da série, que embora não seja perfeita, soube sanar os medos daqueles que estavam céticos em relação a continuidade da serie, se ela seria capaz de manter o nível da temporada anterior, e por incrível que pareça, este novo ano de Stranger Things não apenas manteve a qualidade do anterior, mas também provou-se melhor.

Mas a série traz alguns erros inocentes. Entre eles está a existência da personagem Max (Sadie Sink), que acaba ganhando muito destaque na temporada e contribuindo de forma nenhuma para o desenvolvimento da trama, ficando claro que o único objetivo desta existir era o desejo, por parte dos criadores, de antagonizar os personagens Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) na forma de um triangulo amoroso, que poderia ter sido muito bom de ver, se este não tivesse consumido tanto espaço na temporada, uma subtrama que se mostra completamente desnecessária a trama principal. Entre os novos personagens, existe outro que mostra-se problemático, o irmão de Max, Billy (Dacre Montgomery), criado para ser o antagonista humano da trama e o rival de Steve (Joe Keery), esta subtrama, que também se mostra desnecessária, foi abordada de modo exaustivo, alongada até a season finale e finalizada de modo preguiçoso.

Entretanto, na contramão destes novos personagens está Bob (interpretado pelo eterno Samwise Gamgee, Sean Astin), que além de contribuir de modo significativo para a trama principal, torna-se o principal escape de Joyce (Winona Ryder) e do público desta trama densa, recheada de cientistas malvados e Demodogs.

Outros problemas que a série traz têm como principal gerador o medo e a timidez desta, entre eles estão: o apego a clichês que poderiam ser facilmente evitados; o medo em ousar além do paradigma criado, que está sendo aos poucos quebrado, como mostra Chapte Seven: The Lost Sister, embora este não seja o melhor exemplo, por se distanciar demais da essência da série; tendência constante que a temporada possuiu em se provar superior a anterior, gerando cenas em comum entre ambas e uma forte semelhança no roteiro.

Novamente o maior destaque da temporada vai para a Eleven (Millie Bobby Brown), que compartilha o arco mais interessante deste ano com Jim Hopper (David Harbour), sendo extremamente bonito ver os dois personagens juntos, e a construção da figura paterna pouco ortodoxa sobre o personagem de Harbour foi muito bem elaborada, possuindo ambas as personagens um excelente desenvolvimento no decorrer da trama.

Por fim, Stranger Things mostra-se novamente como uma excelente série, que afirmasse nesta temporada como um sucesso que irá perdurar por muitos anos, podendo sempre se reinventar e abordar novos elementos para o público.

 

Stranger Things – 2º Temporada
Título Original: Stranger Things 2 
Ano: 2017
Episódios: 9
Canal: Netflix
Nacionalidade: EUA
Gênero: Aventura, Horror
Elenco: Millie Bobby Brown, Gaten Matarazzo, Finn Wolfhard

 

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.