Blade Runner 2049

Cerne da Ficção Cientifica

Trazendo a ousada ideia de revitalizar e continuar o universo de um dos grandes filmes da ficção cientifica, Denis Villeneuve mostrou-se apto a esse desafio e exerceu-o com maestria, não apenas digna da obra original, mas superando-a em muitos aspectos, mostrando-nos um filme mais completo e coeso do que aquele feito por Ridley Scott.

A história passada trinta anos após os eventos de Blade Runner – O Caçador de Androides (1982), contextualizando-se em um mundo que após diversos eventos torna novamente legal a produção de replicantes, esta nova geração sendo caracterizada por ser mais obediente, fora criada pela Wallace Corporation, cujo proprietário, Niander Wallace (Jared Leto), mostra-se como o principal antagonista do filme, um homem sem escrúpulos, capaz de tudo para o aperfeiçoamento de sua criação. O filme acompanha o personagem K (Ryan Gosling), um desses novos replicantes, que trabalha para policia da Califórnia como blade runner. Enquanto caçava um antigo replicante fugitivo, chamado Sapper Morton (Dave Bautista), K acaba se envolvendo em um mistério capaz de desestabilizar toda a sociedade; iniciar guerras e pôr em xeque todo o significado de humanidade ou de ser um replicante.

Ao decorrer de suas quase três horas de filme, Blade Runner 2049 torna-se um filme imenso, entretanto, a sensação que fica após o seu término é a de que estas duas horas e quarenta minutos não foram o suficiente para relatar a complexidade de sua trama e de seu universo. E como parte essencial para a expansão do universo criado, os três curtas lançados na fase de divulgação do filme contextualizam esses trinta anos entre 2019 (ano em que se passa o primeiro Blade Runner) e 2049, narrando eventos importantes cujos efeitos repercutem no longa-metragem de Villeneuve.

O roteiro, escrito por Michael Green e Hampton Fancher, é simplesmente brilhante, traz uma história complexa, profunda, muito bem desenvolvida, excelentes personagens, abordando seus dramas de modo balanceado e sem exageros, mostrando-se superior ao original, e além de acrescentar novos eventos, ele revitaliza anteriores mostrados no filme de 82, aprofundando-se ainda mais nesse universo.

Acompanhada a direção do Denis Villeneuve, faz da obra de ficção cientifica digna de ser lembrada por décadas, e um dos melhores filmes do ano. Ao abordar quase todos os temas possíveis que poderiam em um filme desse gênero, Villeneuve traz inovação e intimidade ao publico, com uma direção metódica e translucida mostrando de modo simples e evidente a complexidade do roteiro, criando uma atmosfera e estilos marcantes que difere do filme de Ridley Scott desde sua primeira cena. Construindo um visual único, marcante e belo de se ver, entrelaçado a um aspecto gráfico que ao dar vida a esse mundo novamente trouxe um trabalho marcante que irá influenciar muitos outros no futuro.

Entre aqueles do elenco responsáveis por esse diferencial existem dois nomes que se sobressaem. O primeiro deles, Roger Deakins, o diretor de fotografia do filme, indicado mais de dez vezes ao Oscar, faz mais um excelente trabalho ao mostrar nitidez e originalidade ao colaborar no aprimoramento desse universo. Enquanto o segundo, Dennis Gassner, o diretor de arte do filme, ganhador do Oscar em 1992 por Bugsy, merece repetir este feito novamente, após comandar a melhor parte técnica do filme, ao realizar um dos melhores (se não for o melhor) trabalho de 2017. Entre outros tópicos de extrema qualidade que o filme proporciona ao seu público, toda a parte de som, desde sua mixagem, composição e edição são dignos de nota e exaltação.

Blade Runner sempre fora uma ficção científica completa ao englobar em seu universo muitos dos temas que tomaram premiado e revolucionário este gênero, abordando-os de modo balanceado sem megalomania. Enquanto 2049 repete esta formula, acompanhado de um cenário sócio-político maravilhosamente trabalhado, até mesmo fora da trama do filme, superando o seu original ao ampliar este universo, modernizando a atmosfera cybernoir construída em 82. Blade Runner 2049, registará o seu lugar entre filmes excelentes como Brilho Eterno de Uma  Mente Sem Lembrança e Interestrelar, como uma das maiores ficções científicas pós-contemporânea feitas até o momento.

Blade Runner 2049

Título Original: Blade Runner 2049
Ano: 2017
Direção: Dennis Villeneuve
Duração: 164 min.
Nacionalidade: EUA
Gênero: Ficção Científica, Suspense
Elenco: Ryan Gosling, Harrison Ford, Ana de Armas

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.