Game of Thrones – 7º Temporada

O começo do fim.

O penúltimo ano da maior série da atualidade nos trouxe o resultado de diversas escolhas ruins. Em seu início Game of Thrones deslumbrou o mundo televisivo com cenas fortes de violência e sexo, um visual incrível, personagens marcantes e problemáticos, e um roteiro muito bem elaborado, fiel ao seu material base, complexo e repleto de reviravoltas que marcaram aqueles que assistiram.

O penúltimo ano da maior série da atualidade nos trouxe o resultado de diversas escolhas ruins. Em seu início Game of Thrones deslumbrou o mundo televisivo com cenas fortes de violência e sexo, um visual incrível, personagens marcantes e problemáticos, e um roteiro muito bem elaborado, fiel ao seu material base, complexo e repleto de reviravoltas que marcaram aqueles que assistiram.

Após quatro gloriosas temporadas que conquistaram milhares de fãs ao redor do mundo, a série passou a distanciar-se de sua obra original, deturpando os livros 4 e 5 de As Crônicas de Gelo e Fogo em uma única temporada, que além de modificar completamente diversos arcos dos livros, a temporada trazia também eventos não relatados, executados de modo diferente, e por pessoas diferentes, como é o caso do episódio Hardhome, que apesar disso é muito elogiado, como um dos melhores episódios de Game of Thrones.

Ao se encaminhar para seu sexto ano, a série vendia como slogan o feito de ter ultrapassado os livros, algo que não fora bom de modo algum, depois de ter negligenciado diversos arcos na temporada passada, no sexto ano alguns deles foram adaptados apenas pela necessidade de preencher os buracos deixados após tantas mudanças. Ao fim de sua sexta temporada os fãs foram pegos de surpresa com a declaração de que a série que os havia conquistado iria encontrar seu fim em 13 episódios, divididos em mais duas temporadas, sendo pouco mais da metade do que de fato seria se caso a série seguisse o padrão estabelecido por ela.

Impossível então de pensar que uma trama que fora tão bem elaborada conseguiria ser finalizada de modo tão precoce, entretanto, ao final de sua penúltima temporada, os seis episódios que restam para o fim parecem serem muitos para finalizar a história que fora apresentada.

Longe de qualquer incerteza, é um fato mais do que consumado de que Game of Thrones entrou para a história da televisão, revolucionando de diversas maneiras esse meio, e a sétima temporada da série deixou claro o como ela fez isso. Após criar um novo modelo de cena de ação no episódio Hardhome e consolida-lo em Battle of the Bastards, no sétimo ano dessa série esse modelo foi aprimorado e o resultado foi um espetáculo visual incrível de ser assistido, realizando os sonhos de todos aqueles que gostariam de ver um dragão transformando pessoas em cinzas, a experiência de está no meio daquele campo de fogo foi única, o modo como aquilo foi relatado, todo o desespero por parte dos soldados foi único de ser assistido, e embora no decorrer da temporada existam outros eventos marcantes, como a já esperada queda da Muralha, o episódio The Spoils of War merece todos os holofotes, pelo modo realista de mostrar a devastação acometida pela fúria de um dragão, e pelo espetáculo de direção que nos fora proporcionado.

Outros pontos individuais que merecem ser mencionados são o desenvolvimento da história mostrada no terceiro episódio, The Queen´s Justice, que diferentemente dos demais episódios soube como trabalhar utilizando a seu favor aquilo que se apresentou como uma desvantagem ao decorrer do sétimo ano. A montagem e a direção do segundo episódio, Stormborn, entretanto foram terríveis, tornando confusa e quase incompreensível os últimos momentos, mesmo sendo dirigido pelo mesmo diretor do terceiro episódio, Mark Mylod, enquanto a season finale, The Dragon and The Wolf, trouxe novamente o mesmo diretor do episódio de abertura da temporada, Jeremy Podeswa, trazendo em ambos os episódios uma história coerente, embora um pouco apresada, e uma direção mediana e calma, sem grandes erros. Os maiores destaque da temporada ficam por conta do já mencionado The Spoils of War, e do inesquecível Beyond the Wall, que mesmo trazendo um roteiro repleto erros, e soluções fáceis, trouxe-nos uma direção satisfatória, do já veterano na série Alan Taylor, e um número incrível de cenas marcantes, que abalaram todos aqueles que assistiram.          

Embora tenha apresentado ao seu publico um verdadeiro show visual em diversos momentos, a sétima temporada de Game of Thrones está bastante aquém de suas predecessoras, e isso se deve principalmente pelo roteiro, vitima do pouco tempo que resta para o fim da série.

A trama que nos é apresentada é em sua essência bastante simples, promovendo diversos encontros de personagens que os fãs sempre quiseram ver em cena juntos, e reencontros de personagens que não se viam há anos, o principal problema é o modo como isso foi abordado. Através de arcos e personagens mal desenvolvidos, soluções fáceis, e eventos sem a devida profundidade, com pouca criatividade parecendo muitas vezes como algo escrito por um fã, o roteiro dessa sétima temporada não chega a ser uma sombra tímida se comparados aos roteiros mostrados nos anos gloriosos de Game of Thrones, e mesmo ficando perceptiva a constante luta contra o tempo para a história se fechar, a temporada trás diversas cenas desnecessárias. Foi consolidado como um fato para os fãs de que nesse ano viagens que anteriormente demoravam episódios inteiros, ou até mesmo temporadas inteiras, são agora realizadas em alguns poucos minutos, sendo algo bem evidente nos episódios Eastwatch e Beyond the Wall, alteração que não apenas incomoda, mas fere aquilo que fora construído ao decorrer desses sete anos, trazendo diversas descontinuidades, enquanto mostra em determinadas cenas personagens fazendo viagens muito longas em poucos minutos, enquanto em outras cenas um personagem diferente faz uma viagem menor demorando episódios para se realizar. Sendo por fim, todo o roteiro da temporada uma mancha sobre o legado da série.

Encaminhando-nos de modo claro e objetivo a grande ameaça que aguarda os personagens principais, a penúltima temporada serviu como um grande prologo para o fim, um fim amargo e frustrante, diferente daquele recebido por grandes séries do passado como Breaking Bad, a somatória final dessa temporada é negativa em comparação as anteriores. Sendo um excelente ano para aqueles que gostam de ver cenas de ação, dragões e mortos-vivos, mas um péssimo para aqueles que foram fisgados desde o começo da série pela sua trama muito bem elaborada, seus personagens que conquistaram o publico por serem defeituosos, excluídos, e não se encaixaram no padrão tradicional de mocinhos, sendo seus maiores exemplos os personagens Tyrion, Jon e Arya, que atualmente a premissa da qual nasceram fora posta de lado. Por fim, fica claro que a grande guerra está a caminho, entretanto restam duvidas se ela deveria acontecer agora.

 

Game of Thrones – 7º Temporada
Título Original: Game of Thrones – Season 7
Ano: 2017
Episódios: 7
Canal: HBO
Nacionalidade: EUA
Gênero: Fantasia, Drama
Elenco: Peter Dinklage, Emilia Klarke, Kit Harington
Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.