BoJack Horseman – 4º Temporada

Uma temporada focada em uma palavra: Família

Pondo de lado as fortes crises existenciais e melancólicas do protagonista, a nova temporada investe em um personagem coadjuvante que estava presente na série desde o inicio, e nunca fora mais do que um simples elemento narrativo. Trazendo também uma nova personagem que já era aguardada desde o fim da temporada anterior, que desenvolveu junto com o protagonista uma excelente trama, cujo foco principal fora: família.

Tratando de situar o publico de modo objetivo a partir do fim da terceira temporada. O quarto ano de BoJack Horseman começa frenético e divertido, retomando os eventos ocorridos na season finale anterior, e dando a primeira indicação do que o novo ano nos reserva. Entretanto, essa atmosfera de absurdos e esse ritmo frenético contextualizam o ambiente em que a série fora construída, sendo presente no decorrer da temporada ao passo em que a trama é desenvolvida, usados diversas vezes como critica a múltiplos temas sociais, destaque para o episódio Thought and Prayers.

A tão bem elogiada série, traz mais uma vez uma excelente temporada, apostando em um modo menos ortodoxo de contar a narrativa, algo que fica evidente já no seu segundo episódio, The Old Sugarman Place. Onde são contadas duas histórias em paralelo, entrelaçadas a partir de um elemento em comum, uma situada no presente, e a outra em um passado longínquo durante a segunda guerra mundial, onde somos apresentados a uma nova faceta da personagem Beatrice, a mãe de BoJack. Mostrando-se, como todos os outros coadjuvantes da série, alguém tão complexo quanto o personagem título. Sendo extremamente agradável para o publico ser surpreendido com essa nova perspectiva, de uma personagem que conhecíamos tão pouco, passando de uma mãe cruel que traumatizara o nosso protagonista, para alguém digna de empatia e compreensão; que fora igualmente maltratada na infância, sendo apenas mais uma vitima de uma família desestruturada.

Como de costume o penúltimo episódio foi o melhor da temporada, Time’s Arrow, e teve como protagonista Beatrice, contextualizando-se em um universo de delírios e ilusões da mente de uma senhora doente, o episódio mostra como ela havia conhecido o pai de BoJack, e eventualmente engravidado dele. Mostrando um excelente roteiro e direção, o episódio foi sem duvidas um dos melhores, se não o melhor, episódio que BoJack Horseman já teve.

Mesmo tendo focado bastante nessa nova perspectiva de uma velha personagem, e na relação de pai e filha de BoJack e Hollyhock, a temporada não negligencia de modo algum os demais coadjuvantes. Sendo o terceiro episódio, Hooray! Todd Episode!, protagonizado por Todd, um dos mais importantes da temporada, que além de se aprofundar no personagem do qual está sendo focado, mobilizar a trama dos demais coadjuvantes, trazendo assim um roteiro excelente que faz jus àquilo construído no decorrer destes quatro anos, e como era de se esperar, abusa de situações surreais que marcam a atmosfera de Hollywood.

Nesta temporada fora mostrada Diane mais socialmente ativa do que nunca, abordando novamente em diversos episódios alguns temas polêmicos, merecedor de uma analise social, em uma atmosfera surreal e até mesmo cômica, que diz tanto sobre a realidade em que vivemos. Os demais personagens Princess Carolyn e Mr. Peanutbutter, recebem episódios próprios, no caso de Princess Carolyn, este aborda novamente no episódio Ruthie, as dúvidas que a compõe, pesando seus desejos e sonhos de constituir uma família e ser mãe com sua dura realidade, misturando o humor negro característico da série com o universo de faz de conta da própria personagem. Mr. Peanutbutter com todo o seu otimismo de sempre, parou de ser apenas um personagem complementar dos demais, e tomou para si, logo no primeiro episódio, See Mr. Peanutbutter Run, um arco independente, mas sem se aprofundar emocionalmente, ganhando uma musica própria nos créditos finais.

Impossível deixar de falar no personagem título e toda a sua evolução no decorrer da trama, que diferentemente das demais temporadas, trouxe um final feliz para o nosso querido BoJack, que as vezes é mais homem do que cavalo. Tendo agregado em seu elenco sua suposta filha, Hollyhock, a série abordou uma nova temática que havia sido mostrada apenas de modo unilateral nas temporadas anteriores. E esse tema nunca antes aprofundado, fora o que mobilizou o núcleo formado por Bojack, Hollyhock e Beatrice.

Começando a série com o intuito de se distanciar de tudo e de todos, pois segundo seu próprio pensamento, BoJack apenas machucara aqueles que gosta. Nosso protagonista se depara com uma filha adolescente que nunca conhecera, sendo seu primeiro pensamento impedir que ela crie algum vinculo com ele. Assim impossibilitando-se de fazer algum mal contra a garota, entretanto, Hollyhock não permite e mesmo com alguns obstáculos no decorrer do caminho os dois acabam por fim ficando próximos, sendo esta relação extremamente bonita e protagonista de excelentes cenas durante a temporada.

Por fim não foi uma temporada repleta de crises existenciais e fortes momentos de melancolia como as demais; fora uma temporada focada em uma palavra: família. Trazendo uma mudança considerável para o protagonista, que finalmente se comprometeu, depois de diversos empecilhos e escolhas ruins, a fazer o bem que sempre quisera fazer.

 

BoJack Horseman – 4º Temporada
Título Original: BoJack Horseman – Season 4 
Ano: 2017
Episódios: 12
Canal: Netflix
Nacionalidade: EUA
Gênero: Animação, Humor Negro, Dramédia
Elenco: Will Arnett, Amy Sedaris, Alison Brie

 

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.