Bingo – O Rei das Manhãs

A influencia de Hollywood no cinema brasileiro.

Mostrando de um modo excelente a história de Arlindo Barreto, o primeiro Bozo brasileiro, que por questões de direitos acabou que diversos elementos da trama tiveram seus nomes modificados. Sem se prender a estereótipos fomentados em nossa cultura, nos é mostrado o personagem Augusto (Vladimir Brichta), que acaba se transformando no palhaço Bingo e construindo a partir daí o programa de televisão mais assistido do país, entretanto, por uma clausula no contrato ele é impossibilitado de revelar a sua identidade, se tornando o homem anônimo mais famoso do Brasil.

Marcado como sendo o primeiro filme dirigido por Daniel Resende que trabalhou como editor em filmes brasileiros muito renomados como Cidade de Deus e Tropa de Elite. Bingo – O Rei das Manhãs traz uma bem-vinda quebra de paradigma dos atuais filmes brasileiros, pondo de lado todo o contexto sócio-político em que se passa. Sem trazer um único tema social, o filme se sustenta apenas em seu protagonista, na complexidade de sua personalidade e de sua vida, com uma direção precisa, que lembra os últimos trabalhos de Alejandro G. Iñarritu, complementado por uma fotografia esplendorosa.

            Embora traga mais uma história de ascensão e queda do protagonista. O roteiro escrito por Luiz Bolognesi é o resultado de diversas escolhas certas, sendo inteligente e bem construído, fugindo de todo e qualquer vicio que pudesse se apegar para facilitar o desenvolvimento da história. Sendo adaptadas de modo objetivo, vivo e igualmente inteligente, trazendo um filme onde cada cena é importante para trama, até mesmo aquelas que mostram sexo e consumo de drogas, sendo nenhum dos dois gratuitos.

O filme se divide em três núcleos, que servem como modo de complementar a personalidade de Augusto. Sendo o primeiro a ser mostrado no filme é a sua relação com a sua própria família, composta pelo filho, Gabriel Mendes (Cauã Martins), e sua mãe, Martha Mendes (Ana Lucia Torres), a então atriz. Esse primeiro núcleo representa a parte responsável e madura do próprio Augusto. O segundo núcleo, é o trabalho de Augusto, o seu alter ego, Bingo, composto principalmente por Lúcia (Leandra Leal), e Vasconcelos (Augusto Madeira), representando a cobiça, ego e vaidade do protagonista. O terceiro sendo aquele que leva a trama para sua parte mais sombria é composta apenas pelo protagonista, onde ele negligencia os dois núcleos anteriores, e entra em um mundo construído por ele mesmo, de sexo, drogas, bebidas. Representando o começo de sua queda.

Tendo como distribuidora e coprodutora a Warner Bros, o filme traz em si um aspecto um pouco até hollywoodiano, mas com o decorrer da trama fica perceptiva a alma brasileira do filme, que além de compor os personagens, de modo sutil sem estereótipos, é responsável pela desenvoltura de algumas cenas, trazendo em si um coração brasileiro.

Bingo – O Rei das Manhãs

Título Original: Bingo – O Rei das Manhãs
Ano: 2017
Direção: Daniel Rezende
Duração: 113 min.
Nacionalidade: Brasil
Gênero: Drama, Biografia
Elenco: Vladimir Brichta, Leandra Leal, Emanuelle Araújo

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.