A Aurora e o Crepúsculo dos Super-Heróis

Os anos 90 marcaram a decadência de um gênero muito popular no cinema, os filmes westerns (faroeste), considerando Os Imperdoáveis, de Clint Eastwood, o último grande clássico de faroeste. Enquanto isso surgindo despretensiosamente vinha emergindo um novo gênero que iria marcar o cinema no inicio do século XXI: os Super-Heróis.

Com sucessos esporádicos e fracassos rotineiros esse gênero só veio a ser levado a sério nos anos 2000 com o lançamento do primeiro X-Men. Trazendo em sua trama personagens que representavam o próximo passo da evolução humana, e introduzindo ao mundo um jovem e inexperiente ator no personagem principal de Wolverine, Hugh Jackman, ator este que viria a se consolidar um grande ícone desse gênero. O filme abordava temas importantes como preconceito e discriminação, enquanto mostrava as ações desses seres com poderes quase divino, que muitas vezes eram apenas crianças, e como elas afetavam o cenário politico e social do mundo.

Após ter arrecadado em sua bilheteria aproximadamente 296 milhões de dólares (que para os padrões da época era um valor estupendo, considerando ainda seu orçamento de 76 milhões), X-Men atraiu a atenção de Hollywood para esse novo tipo de blockbuster, dando oportunidade a outros heróis ganharem adaptações como é o caso do Homem-Aranha, que ganhou sua primeira adaptação dois anos depois que o primeiro X-Men.

Em 2008, a Marvel Studios começou a construção de algo sem precedentes até então, o primeiro universo compartilhado entre super-heróis no cinema. O lançamento de Homem de Ferro serviu para consolidar de vez esse novo gênero, e o apogeu desse universo veio quatro anos depois com o filme Os Vingadores, que arrecadou 1,5 bilhões de dólares em sua bilheteria mundial, se tornando não apenas um marco para o gênero de super-heróis, mas para toda a história do cinema.

A partir disso não havia como ignorar mais, os super-heróis haviam chegado para ficar, e feito por merecer seu lugar no coração de cada fã conquistado.

Entretanto, alguns anos atrás o renomado cineasta, Steven Spielberg, durante uma entrevista comentou sobre o aumento na quantidade de filmes blockbusters sendo lançados a cada ano, que segundo o diretor: “Haverá uma implosão, onde três, quatro, ou meia-dúzia de filmes de grande orçamento irão fracassar, e isso irá mudar o paradigma”. No decorrer da entrevista o diretor afirmar que “Nós estávamos lá quando os filmes de faroeste morreram e chegará um tempo em que os filmes de super-heróis seguirão pelo mesmo caminho que dos filmes de faroeste… esses ciclos têm um tempo finito na cultura popular”.

A analise quase profética de Spielberg despertou a atenção e incitou o debate naqueles que gostam desse gênero. Muitos afirmam que a queda dos super-heróis virá pela saturação desses filmes, e da repetição e falta de criatividade dos roteiros. Entretanto nós estamos vivendo o auge da era nerd, e mesmo filmes de qualidade muito baixa ainda

faturam milhões ao redor do globo, e para aqueles que conhecem o material em que esses filmes são baseados sabem que as possibilidades de criação de novas histórias de personagens como Batman, por exemplo, são infinitas, limitadas apenas a mente daqueles que o escrevem.

O gênero de super-heróis por ser incrivelmente amplo é por natureza auto-renovável, exemplo disso são filmes como Deadpool e Logan, que embora vivam em universos de um p

ublico mais infantil, esses dois filmes que se diferenciam principalmente por suas classificações para maiores de idade, mostraram que ao renovar tal gênero e mudar um pouco a ótica deles o publico receberia esta quebra de paradigma de acordo, se, claro, ela for bem executada. O principal fator que possibilite essa reinvenção é o fato de que os filmes de super-heróis possuam subgêneros, sendo um filme como Deadpool, não apenas um filme baseado em quadrinhos, mas também um filme de comédia e ação, ou Logan que também abrange o gênero drama.

Um dia os filmes de super-heróis entrarão em declínio, é uma dura verdade, entretanto, esse gênero não morrerá por falta de histórias a serem contadas, e nem por inadequação ao publico, pois este é o gênero mais camaleão que existirá, e também o mais adaptável a mudanças de publico, sendo seu material fonte tendo que lidar com esse problema à décadas e na maioria das vezes sendo bem sucedido. Quando os super-heróis vierem a morrer será por resultado da troca constante dos ídolos da cultura pop, sendo algo natural que virá a todos os membros de tal cultura, algo inevitável, e a única coisa que podemos fazer é aproveitar o máximo possível enquanto durar.

Gabriel Lucas

Gabriel Lucas

Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.
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Excêntrico estudante do Ensino Médio, um fã devoto de Game Of Thrones e Breaking Bad, que prefere abertamente a DC, um completo fanático por Watchmen e O Senhor dos Anéis, e admirador dos trabalhos de Woody Allen, Alejandro González Iñárritu e Stanley Kubrick.