Até o Último Homem

Até o Último Homem, porque nem todo herói de guerra precisa de uma arma.

Que Mel Gibson tem talento, isso é sabido por todos, mas era dúvida se ainda veríamos alguma obra-prima desse polêmico cineasta, por bem, depois de 10 anos sem dirigir nada, ele nos presenteou com uma ótima história real e uma perfeita direção.

Até o Último Homem conta a história de Desmond T. Doss (Andrew Garfield), primeiro soldado americano Opositor Consciente na história, ele lutou pelo direito de ir à Segunda Guerra Mundial como médico, sem empunhar uma arma, apenas com o objetivo de salvar seus amigos no campo de batalha.

Com esse estranho objetivo, Doss passa por várias dificuldades durante o treinamento, desde a desconfiança e agressão de alguns companheiros de batalhão, até corte marcial sobre sua possível expulsão do exército. Mas Doss consegue seu objetivo e prova sua importância no campo de batalha.

Esta história real nunca havia sido contada no cinema devido ao impedimento de Doss, que não queria se tornar uma celebridade, pois isso seria contra sua posição social. Mas com sua morte em 2006, sua esposa liberou os direitos e escreveu um livro para que essa história não se perdesse.

Até o Último Homem é com certeza um dos maiores candidatos ao Oscar de Melhor Filme em 2017, sua história é cativante e o fato de ser real pesa muito, também há o peso no fato de americanos gostarem muito de filmes que retratam seus soldados na guerra, por fim a qualidade do filme é um dos fatores principais.

Com tomadas impressionantes, cenas realistas, e toda aquela sanguinolência e carnificina real que Gibson gosta de retratar em seus filmes, com certeza temos aqui uma das melhores direções da carreira de Gibson, até mesmo se compararmos com Coração Valente (1995), seu maior sucesso. Ele soube se atualizar e usar de recursos não disponíveis em seus filmes passados, tanto em câmeras, como em efeitos especiais, assim nos brindando com um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos. Seu segundo Oscar como Diretor parece estar bem próximo.

Pode até haver dúvidas se este é ou não o melhor trabalho de Mel Gibson, mas um que realmente não gera dúvidas é Andrew Garfield, sua atuação é impecável, consegue transmitir toda certeza, angústia, sofrimento e determinação existente no personagem, nós sofremos junto ao ator, com ele colocando-se dentro do personagem, como nunca antes fez, com certeza é um dos principais candidatos ao Oscar de Melhor Ator.

Outras possíveis estatuetas são Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som e Melhor Edição. As categorias sonoras são quase certas como vencedoras, é tradição essas categorias serem dadas à filmes que retratam a guerra, pois é muito trabalhoso lidar com diversos elementos sonoros provenientes de ambientes de guerra. Já a edição do filme não deixa a desejar, é muito bem trabalhada, com cortes certeiros e cenas bem compostas, mas talvez não seja o vencedor devido ao tamanho do primeiro arco do filme, que apesar de necessário, pois precisa estabelecer as motivações do protagonista, se torna um pouco maçante.

Com certeza uma das grandes obras do cinema, e talvez até a maior obra de Mel Gibson, Até o Último Homem cumpriu seu papel e com certeza servirá de inspiração para muitos que usam da violência para combater seus maiores medos.

Até o Último Homem

Título Original: Hacksaw Rodge
Ano: 2016
Direção: Mel Gibson
Duração: 129 min.
Nacionalidade: EUA, Austrália
Gênero: Drama, Guerra, Biografia
Elenco: Andrew Garfield, Vince Vaughn, Teresa Palmer

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Amante do cinema, viciado em games, entusiasta de séries e escravo dos quadrinhos e livros... Ou seja, procura-se emprego para sustentar tudo isso!
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