La La Land

La La Land:  porque seu sonho pode estar na próxima esquina, basta apenas acreditar!

Um viaduto congestionado em direção à Los Angeles, com vários carros coloridos tocando sons diferentes, diante de um sol fortíssimo. Com este típico cenário da cidade dos sonhos, começa La La Land.


A sequência inicial mostra tudo o que o filme tem a oferecer, cores berrantes, pessoas felizes, caos e música, sim, muita música. Com um plano-sequência (câmera sem cortes) forjado (pois há falsos cortes “invisíveis”) é realizada a primeira apresentação musical do longa, com pessoas subindo em cima de seus carros, sapateando, dançando em conjunto, apresentando vários estilos de dança, tudo isso ao som de Another Day of Sun (Outro dia de Sol), que canta a necessidade que os moradores de Hollywood têm de encontrar seus lugares ao Sol. A sequência inicial é apaixonante, prende logo a atenção do espectador, aliás, caso não tenha ocorrido com você, pode desistir, pois o restante do filme não lhe agradará.

Após a apresentação conhecemos os protagonistas do filme Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling), dois sonhadores que chegam à cidade em busca de seus sonhos, ela ser uma atriz de sucesso, ele ganhar a vida como pianista de jazz. A trama é sobre a vida e o romance dos dois, passando pelas estações do ano e lugares marcantes da Cidade dios Anjos, mostrando que os causos da vida podem levar as pessoas para destinos certos, mas por caminhos tortos.

O filme é do jovem diretor Damien Chazelle, que dirigiu o premiado Whiplash (2014), então com apenas 31 anos, Damien consegue levar sua segunda obra ao Oscar, mas desta vez com um recorde de 14 indicações (igualando Titanic e A Malvada). Seu filme é bem característico, com várias sequências já presenciadas em seu filme de estreia: planos-sequência prolongados, que ajudam a destacar o talento de seus atores, diálogos inteligentes, cenas-chave e detalhes importantes. Damien é um dos fortes candidatos ao Oscar de Melhor Diretor e, conseguiu provar que não será um diretor de um filme só, que gosta de desafios e que com certeza entrará na lista dos melhores de todos os tempos.

Emma e Ryan formam uma bela dupla diante das câmeras, os dois se mostram bem sintonizados, tanto nas sequencias dramáticas, como nas de musical. Emma destaca-se mais por suas cenas solo, mostrando que é uma ótima atriz e que tem espaço no mundo das estrelas. Sua personagem, Mia, mostra um grande crescimento durante as quatro estações mostradas no filme, e a atriz consegue apresentar convincentemente esta evolução de uma forma naturalíssima. Fortíssima candidata ao Oscar de Melhor Atriz. Já Ryan Gosling mostra que sabe atuar, mas não é tão bom cantor, sua voz não é tão agradável, mas suas cenas dramáticas são boas. Diferente de sua parceira de filme, não deve levar a estatueta para casa desta vez, mas não deve demorar para ganhar uma.

Outra estatueta garantida é a de Melhor Canção, com duas indicações, por Audition (The Fools Who Dreams) e City of Stars, com certeza a última será premiada. A canção é belíssima e leva em si toda a essência do roteiro do filme, assim como a vida comum na cidade, um verdadeiro palco de estrelas que buscam brilhar. Repetida incessantemente durante várias sequências do filme, ela é ainda cantada pelos protagonistas em um das mais belas cenas do filme.

O roteiro do filme é também do diretor Damien Chazelle, apesar de ter conquistado a indicação, o roteiro é simples, mas surpreende pelo final. Mostra o cotidiano e as reviravoltas da vida, dá esperança ao espectador para lutar por seus sonhos, deixa clara a importância de agarrar todas as oportunidades e de não baixar a cabeça diante das dificuldades. Quase como uma autobiografia da própria vida do diretor, La La Land pode também ser a biografia das grandes estrelas que conhecemos em Hollywood, como também dos que nem chegamos a conhecer e nunca chegaram realmente ao estrelato. Bom roteiro, muito humano, mas não é tão grandioso para merecer o Oscar de Melhor Roteiro Original, o que não tira o mérito da indicação.

O forte do filme é com certeza a parte técnica, com indicações em quase todas as categorias Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Mixagem de Som, Melhor Edição de Som, Melhor Design de Produção, Melhor Edição e Melhor Trilha Sonora. Destas sete categorias o filme deve sair com pelo menos umas quatro estatuetas, talvez perdendo para os já comuns ganhadores filmes de guerra nas categorias de sonoplastia.

La La Land com certeza veio para marcar, em época que musical não é mais tão popular, o filme renova o gênero, mas também se preocupa em ressuscitar e homenagear grandes filmes musicais do passado. Chazelle mostra que não é um gênero que define a qualidade de um filme, mas sim sua execução, agradando tanto a crítica, como o público, e com isso, o diretor consegue por uma de suas mãos na estatueta mais cobiçada de Melhor Filme de 2017.

La La Land – Cantando Estações

Título Original: La La Land
Ano: 2016
Direção: Damien Chazelle
Duração: 128 min.
Nacionalidade: EUA
Gênero: Musical, Romance, Drama
Elenco: Emma Stone, Ryan Gosling, J. K. Simmons

Gounford

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Amante do cinema, viciado em games, entusiasta de séries e escravo dos quadrinhos e livros... Ou seja, procura-se emprego para sustentar tudo isso!
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