O Regresso

DiCaprio parece estar se esforçando, mas será que ele merece?

O Regresso tem grandes chances de ser o filme a dar o primeiro Oscar par Leonardo DiCaprio, mas não é só isso que há neste filme, aliás, parece que ele nem existe no filme.

Retratando uma história real, mas que já foi várias vezes adaptada durante os quase dois séculos que se passaram, assim tornando-a já meio fantasiosa. O filme retrata a história de Hugh Glass, um guia de caça do século XIX que é atacado por um urso e é deixado para trás à beira da morte por seus companheiros de caça, mas sobrevive e passa por maus bocados até conseguir sua vingança.

A história por mais inacreditável que pareça ser, é monótona, com repetidas cenas de “tortura” cometidas pela natureza em Leonardo, este que já está acostumado à retratar papeis baseados em pessoas reais, como em O Aviador, ou Prenda-me Se For Capaz, mostra seu talento em gemer e fazer expressões de dor, mas nada além disso, trabalho que está bem abaixo por exemplo de seu último grande papel como Jordan Belfort (mais um personagem real) em O Lobo de Wall Street. Pode até ser que o ator leve a estatueta este ano, mas repito, não é o ano certo, há atores com melhores atuações que ele este ano, e ele pode fazer bem melhor que isso.

Como já disse anteriormente, o filme é monótono, mas é lindo. Totalmente gravado com luz natural e com uma espetacular fotografia de Emmanuel Lubezki (ganhador de dois Oscar nos últimos dois anos), mostra as lindas paisagens do Canadá e seus perigos naturais. O filme tem até avalanche de verdade, algo que é feito em 99% das vezes por computação gráfica.

Alejandro Gonzáles Iñárritu fez mais um ótimo trabalho, chamando as pessoas certas e tomando as decisões acertadas, por mais problemáticas que possam ter sidas, como ficar quase um ano gravando o filme no meio do gelo. Sua câmera está incrível, sempre pegando os melhores ângulos, dando prioridade para a natureza em cena, mas muitas vezes desviando o foco da história e de seu personagem central, assim transformando o filme em quase um documentário do Discovery Channel.

O melhor do filme é a cena de abertura, com um plano-sequência (filmagem sem cortes) de quase dez minutos, especialidade de Iñárritu (como conferido em Birdman) e pela famosa cena do Urso, que realmente convence e mostra o grande trabalho que ainda faz o famoso estúdio de efeitos visuais Industrial Light & Magic, que é conhecida por trabalhos como os filmes Star Wars, entre outros.

Sobre as indicações ao Oscar, Iñárritu dificilmente ficará com o Oscar de Melhor Diretor novamente, a indústria não costuma contemplar o mesmo diretor duas vezes seguidas à anos, mas também esse não é o melhor trabalho do diretor. Os Oscar de categorias técnicas devem garantir várias estatuetas para o filme, Melhor Fotografia, Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som, Edição, Maquiagem e Figurino são as indicações, mas com grandes filmes técnicos concorrendo este ano, talvez fique com Fotografia e Direção de Arte.

O urso pode render o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, mas também há grandes filmes concorrendo por esta estatueta, por fim Melhor Ator Coadjuvante dificilmente renderá a estatueta para Tom Hardy e sua “dificuldade de fala” e por fim é capaz de em um ano cheio de filmes de mesmo nível o Oscar de Melhor Filme acabar escapando-lhe.

O filme é isso, uma sucessão de belas paisagens monótonas com um DiCaprio esforçado, mas não em sua melhor performance, vale assisti-lo, mas com certeza muitos não aguentarão e dormirão antes das quase três horas de filme.

O Regresso
Título Original: The Revenant
Ano: 2015
Direção: Alejandro González Iñárritu
Duração: 156 min.
Nacionalidade: EUA
Gênero: Aventura
Elenco: Leonardo DiCaprio, Tom Hardy, Domhnall Gleeson
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Amante do cinema, viciado em games, entusiasta de séries e escravo dos quadrinhos e livros... Ou seja, procura-se emprego para sustentar tudo isso!
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