Ex_Machina

Até quando os humanos serão senhores de sua tecnologia?

Muito discute-se atualmente sobre Inteligência artificial, com computadores cada vez mais avançados e com uma tecnologia evoluindo tão rápido como nunca antes na história, Ex_Machina traz para o cinema esta questão.

Muito discute-se atualmente sobre Inteligência artificial, com computadores cada vez mais avançados e com uma tecnologia evoluindo tão rápido como nunca antes na história, Ex_Machina traz para o cinema esta questão.

Um thriller simples, com um único cenário, quatro personagens e uma ideia, essa fórmula comum em filmes do gênero com uma capa de ficção científica monta uma das mais densas capciosas tramas dos últimos anos na sétima arte.

Caleb Smith (Domhnall Gleeson) é premiado com uma semana na casa Nathan Bateman (Oscar Isaac), presidente da empresa que trabalha e fundador do maior site de buscas no mundo. Excêntrico e antissocial, Bateman vive recluso no meio do nada em uma mansão tecnológica apenas acompanhado de uma serviçal que nem seu idioma fala.

Caleb vai até a casa para participar de uma experiência com uma inteligência artificial que está sendo testado por seu patrão, seu objetivo é verificar se o novo protótipo é autômato, não dependente de comandos humanos para agir e capaz de pensar por si só. Essa inteligência artificial está instalada em um corpo robótico chamada Ava (Alicia Vikander), que por sinal é muito atraente e parece ter sido construída para ludibriar Caleb.

A trama discorre diante de um jogo psicológico entre o trio, Com Caleb sem saber em quem confiar, Natham com suas convicções arrogantes e Ava com seu tom ingênuo, mas com as de quem guarda algum segredo. Além do tema central a trama também mostra vários outros subtemas escondidos em suas entrelinhas, como a batalha de classe entre Caleb e Natham, ou a posição machista de Natham ao escolher um corpo feminino para sua Inteligência artificial.

Em seu primeiro trabalho como diretor, o até então roteirista Alex Garland (escreveu A Praia e Extermínio), que também roteirizou este filme, tem uma ótima estreia, com uma câmera bem trabalhada e um cenário simples e lindo, nada dos estereótipos que inundam o gênero, como grandes arranha-céus, carros voadores e afins.

O trio de atores estão muito bem em seus papéis e passa todo o terror que há no filme, em momento algum nenhum dos três deixa a desejar e seguem a linha evolutiva da trama fielmente. Inclusive conseguem algo muito raro hoje em dia, que é manter o ritmo em uma obra densa por quase duas horas de filme.

O filme foi feito com pouco mais de US$15 milhões, uma pequena fração para os conhecidos filmes hollywoodianos. Sem explosões e atores renomados o filme mostra que não precisa de muito dinheiro para fazer um bom filme. A parte triste disso é que o filme não pôde estar em muitas salas de cinema, assim causando pouca repercussão fora do nicho, no Brasil por exemplo saiu direto no mercado de vídeo, nem dando as caras nos cinemas, afinal, por aqui só filme americano mesmo.

O filme fez seu nome principalmente em festivais, o que lhe rendeu vários prêmios, inclusive duas indicações ao Oscar, na categoria de Melhor Roteiro Original, do qual é fortíssimo candidato e na de Melhores Efeitos Especiais, que dificilmente ganhará com a quantidade de blockbusters indicados. Talvez tenha faltado uma indicação ao Oscar de Melhor Diretor para Garland, que fez um excelente filme.

Ex_Machina: Instinto Artificial
Título Original: Ex_Machina
Ano: 2015
Direção: Alex Garland
Duração: 108 min.
Nacionalidade: Reino Unido
Gênero: Thriller | Ficção Científica
Elenco: Domhnall Gleeson, Alicia Vikander, Oscar Isaac
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Amante do cinema, viciado em games, entusiasta de séries e escravo dos quadrinhos e livros... Ou seja, procura-se emprego para sustentar tudo isso!
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